domingo, 16 de outubro de 2016

O USO CONVENIENTE DA PEC 241 PARA INSTITUIR UMA GREVE NO IFPA (Ou: “Uma greve não melhora o ensino, apenas o paralisa”)

Não tenho qualquer motivo para postular em favor do Governo Temer, mas considero inoportuno o uso da PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO nº 241 para justificar uma possível paralisação das atividades acadêmicas no INSTITUTO FEDERAL DO PARÁ. Se a greve ocorrer, será a terceira paralização das atividades acadêmicas nos últimos três anos, com incomensurável prejuízo para os ALUNOS do instituto. O absurdo é tão grande que estamos em outubro e ainda não concluímos o 1º semestre letivo de 2016.

Mas, para o Corpo Docente do instituto, é oportuno e conveniente o instituto da greve, considerando que os seus salários continuarão sendo religiosamente pagos e não há qualquer prejuízo para as suas carreiras profissionais. Não haverá sequer, para quem conhece a realidade da instituição, reposição das aulas não ministradas, posto que trabalhar aos sábados, no IFPA, é pura ficção. São verdadeiras férias fora de época para quem já tem 45 dias de férias anuais remuneradas.

Entendo que a PEC 241 é, no mínimo, controversa quanto aos seus objetivos e eficiência, porém alguma coisa deve ser feita ante a funesta previsão, na Lei de Diretrizes Orçamentárias, de déficit primário de 170 bilhões para 2016 e 139 bilhões para 2017. Diante desse lamentável cenário, essa PEC foi a estratégia escolhida pelo atual governo federal para estancar a sangria fiscal e reconduzir o país à normalidade econômica. Ao revés, se essa PROPOSTA não é a melhor alternativa, temos o direito de nos manifestar contra essa medida, mas, pelas circunstâncias, utilizá-la como mote para mais uma GREVE no IFPA, parece-me inadequado e ilegítimo, considerando os nefastos efeitos que promoverão para o corpo discente, ou seria justo levar 2,5 anos para concluir um curso de 1,5 anos de duração?


Sem dúvida, sobre a crise fiscal brasileira, tudo parece incerto, mas quando se institui uma GREVE, algo me parece indubitável: os efeitos determinam os métodos. Os que defendem a GREVE sabem que nenhum prejuízo financeiro e profissional os afetará, logo, se a paralisação não lograr qualquer resultado benfazejo, no mínimo, gozarão de um largo período de FÉRIAS REMUNERADAS FORA DE ÉPOCA. Do outro lado, tem aqueles que não decidem coisa alguma, mas possuem a certeza que os efeitos de uma greve lhes serão nocivos, posto que, no IFPA, UMA GREVE NÃO MELHORA O ENSINO, APENAS O PARALISA.         

Um comentário:

  1. Professor, como mãe de aluno concordo plenamente com seus argumentos, pois paralisação é um atraso no calendário acadêmico da instituição que prejudica somente aos alunos e não aos professores e gestores da instituição. Além do que, tolhe o direitos dos estudantes. Um absurdo os alunos terem apoio da direção desta instituição.

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