segunda-feira, 14 de julho de 2014

Tratando as praças militares como imbecis (Ou: “A massa de manobra”)

Na vida militar existem certos jargões que, como toda máxima, possuem expressivo conteúdo ideológico, ou seja, algo que, se bem examinado, se desconstitui por falta de consistência teórica. Um deles é a crença de que os oficiais foram “formados” para pensar e as praças, para executar. Aqueles são a cabeça, estas são o corpo do ente estatal.

Até as atribuições do cargo procuram expressar essa diferença que somente prospera na cabeça de quem não conhece a fundo a atividade militar, principalmente a hodierna. O policial e o bombeiro militar pouco se assemelham ao funcionário de uma fábrica qualquer, no que concerne ao mecanicismo da atividade que realizam. Numa fábrica o leque discricionário e plástico é infinitamente menor que o dos militares que, por não saberem quais problemas enfrentarão a cada ocorrência, precisam, por dever de ofício (ou necessidade de sobrevivência) refletir. A praça que não pensa pode até sobreviver, mas certamente terá problemas ao longo da sua carreira. Seguirá pelo caminho da subserviência desmedida ou digladiar-se-á na esfera disciplinar e judicial.

Mas essa exigência racional da atividade realizada pelas praças PM/BM se contrapõe com a maneira como o Governo do Estado do Pará, o Comando da Corporação e as Associações de Classe as tem tratado ao longo dos últimos anos. Na visão das autoridades elas não passam de uma interessante MASSA DE MANOBRA. Façamos uma rápida retrospectiva para entender o porquê dessa assertiva.

No primeiro governo Jatene, em vez de aprovar um novo plano de carreira, – sem a necessidade de concurso interno para a promoção das praças, como ocorre com os oficiais PM/BM – criou-se, em 2004, a mirabolante  “Lei dos 10 e 15 anos”, com o claro objetivo de abrandar os ânimos da categoria e beneficiar o candidato de Jatene à Prefeitura de Belém, o famigerado DUDU. Esta lei estabeleceu que o soldado e o Cabo, com 10 e 15 anos de serviço, respectivamente, deveriam ser promovidos a graduação imediatamente superior.

Os soldados realmente foram promovidos a cabo – o que representa uma ascensão funcional e financeira mínima -, mas os cabos ficaram a ver navios, pois a promoção foi condicionada à realização do CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS, que, até hoje, é ofertado ao bel prazer do Comando das Corporações Militares.

Na tentativa de reverter a revolta da categoria, no final do seu primeiro governo, Jatene realizou o histórico encontro com as praças PM/BM na sede do PARACLUBE, em Belém, com o propósito de fazê-los votar em seu candidato ao governo, o finado Almir Gabriel (que Deus o tenha!). Além de uma fragorosa vaia no Governador, a classe votou em peso na candidata de oposição e ajudou a eleger Ana Júlia Carepa para o Palácio dos Despachos.

Eleger a petista foi como tocar seis por meia dúzia para a categoria das praças militares. Foi prometida a “PORTA ÚNICA DE ENTRADA”, o que acabaria com o abismo que separa os oficiais das praças, do ponto de vista profissional. Mais uma vez as promessas não se realizaram e para tentar enganá-las, sob a tutela do Ex-Comandante Geral, Coronel Leitão, foram realizados, nos últimos meses de governo, Cursos de Formação de Cabos e de Sargentos (CFC e CFS). Um presente para açucarar a boca das praças, como se fossem crianças que se engana com pirulitos de morango.

Agora, fazendo jus ao bordão que diz: “NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA”, o atual governador do Estado, SIMÃO JATENE, de última hora, tenta mais uma vez seduzir as praças PM/BM com a oferta de vagas para os Cursos de Formação de Cabos e Sargento (CFC e CFS), acreditando que a categoria tem mente de jerico e vai se deixar seduzir por mais um presentinho eleitoreiro de um governo que nunca se dispôs a resolver, de fato, os problemas da categoria.

Mas não culpo apenas o governo por tratar as praças PM/BM como mentecaptas. As associações que dizem representá-las não agem de foram diferente. Elas foram capazes, recentemente, de “coordenar” uma greve contra a lei que concedeu aumento salarial para os oficiais, alimentando o preconceito que há entre os dois círculos, mas nunca lutaram ostensivamente pela aprovação de uma lei que pudesse organizar a vida funcional das mesmas, do ponto de vista salarial e da progressão funcional. Na verdade sequer houve uma coordenação única desta greve, mas um “FODA-SE” total que pode trazer consequências penais e administrativas aos que, emotivamente, se envolveram com o desordenado movimento.

A prova cabal de que todos tentam tirar uma “lasquinha” da suposta inocência da categoria reside no atual processo eleitoral. O governo reapareceu com um PACOTE DE BONDADES; as associações, cada uma com candidato escolhido sem a aquiescência das praças. Cada um quer a sua fatia do bolo e, para tanto, contam com a estupidez de uma categoria que possui uma incomensurável força, mas com poder de organização de um doente mental.              



         

domingo, 6 de julho de 2014

Advogada Rosane Baglioli faz grave denúncia contra o Comandante Geral da PMPA e outros oficiais superiores da Corporação

Rosane Baglioli

Comandante Geral da PMPA tem ciência que desde o início do ano, um oficial superior, que até dias atrás estava comandante de batalhão na capital, passava a semana inteira pelo interior fazendo campanha. Inexiste publicação de afastamento ou deslocamento desse oficial.

Esse mesmo oficial e seu sub comandante esqueceram de encaminhar as fichas de homologação de inscrição do CFS2014, procuramos o Comando da PMPA, protocolamos petições no Gabinete do Comando, estivemos na DE da PMPA e o resultado como sempre descaso. CONSEQUÊNCIA Concurso anulado, Dinheiro pelo Ralo, Praças insatisfeitos.


Fonte: Facebook 

PMPA anula Processo Seletivo ao Curso de Formação de Sargentos, mas não esclarece os motivos da decisão (Ou: "Concurso interno somente existe na Polícia do Pará - e somente para as PRAÇAS")

ANULAÇÃO DO PROCESSO SELETIVO AO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS 2014 - NOTA OFICIAL

Enviado por tencel.carmo.20125 em dom, 06/07/2014 - 09:42

O Comandante Geral da PMPA, coronel Daniel Borges Mendes, face o princípio da autotutela, bem como da possibilidade de possíveis equívocos no processo de homologação das inscrições e ainda possíveis prejuízos a quaisquer policiais militares, consoante a entendimento da Comissão responsável pelo processo em epígrafe, decide anular o processo seletivo ao Curso de Formação de Sargentos da Polícia Militar 2014. A Polícia Militar, em data posterior, divulgará o Edital para novo processo seletivo.


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