quinta-feira, 10 de abril de 2014

Wolgrand esclarece o texto: “Lideranças amarelecem e Praças PM/BM voltam ao trabalho”

Como professor de Filosofia estou acostumado com pessoas que não conseguem interpretar um pequeno parágrafo de um texto qualquer. São ossos do ofício. Mas, independentemente dos “Joões sem braço” que sobejam em solo pátrio, nunca me furtei a esclarecer os meus pensamentos, mesmo quando os considero claros. Refiro-me ao artigo publicado neste blog sob o título “Lideranças amarelecem e Praças PM/BM voltam ao trabalho”. O argumento central que sustentei se refere a tese de que É IMPOSSÍVEL LUTAR QUANDO O TEMOR DE PUNIÇÕES É MAIOR QUE O OBJETO DA LUTA.

Esse pensamento parte do pressuposto de que apenas espíritos livres podem liderar lutas como essas. Tal entendimento remonta à doutrina cristã, no que atine aos inimigos da alma, que são aqueles que a impedem de uma existência autônoma: o diabo, o mundo e a carne. Quem dá muito valor a esses sofismas não lidera nem a si mesmo.

Em outras palavras, ninguém deve rebelar-se ou insurgir-se contra qualquer autoridade se tiver receio das consequências concretas dos seus atos. É necessário se desprender dos bens materiais, vantagens pessoais ou quaisquer benefícios que seduzem o homem comum. O verdadeiro líder, como o cristão verdadeiro, não pode estar preso às coisas do mundo e não deve ceder às tentações da carne. O que vem pela sensibilidade não deve seduzi-lo, pois somente interessa o que é capaz de elevar a alma e esteja em consonância com a causa que defende.

Digo isto porque creio que os líderes do movimento das Praças PM/BM sabiam que inquéritos e PADS seriam instaurados, além de outras ações com o fito de desmobilizá-los. Sabiam que não podiam contar com a complacência do governo e MP ao decidirem pelo caminho do enfrentamento, nem podem contabilizar como ganho o fato de o MP ter cancelado o pedido de prisão preventiva contra alguns militares. Este fato não é ganho, mas consequência do conflito.

Por outro lado, entendo que o recente movimento das praças não foi fruto do poder de mobilização das associações que se dizem representantes da categoria, mas decorreu do SENTIMENTO DE INJUSTIÇA proveniente da aprovação da lei que beneficiou apenas os oficiais. Na verdade, creio que nenhuma associação de praças tem, hoje, o poder de mobilização da categoria. As praças do interior, por exemplo, são independentes e os militares que comandaram o movimento reivindicatório no 6º BPM não aproveitaram esse singular momento para consolidar a unidade da categoria. Para isso não podiam firmar qualquer acordo com o governo sem antes ouvir a todos indistintamente, principalmente os colegas que estavam nos longínquos municípios do Estado.

O momento psicológico era favorável às praças. A cada dia novos policiais aderiam ao movimento. Parentes dos militares e até entidades como a OAB e a SDDH apoiaram a “rebelião”. Do outro lado o governo, desgastado com a discriminação salarial que aprovara, ainda amargava a manifestação dos Peritos Criminais e a insolúvel crise no Sistema Penitenciário.

Apesar de tudo e com o apoio quase incondicional de uma categoria que congrega mais de 12 mil homens, aqueles que se auto intitularam líderes do movimento negociaram solitariamente com os representantes do governo e, mesmo sem ter o principal ponto de pauta atendido (isonomia no percentual de reajuste), e sem ouvir os militares que os apoiavam nos inúmeros quartéis da Região Metropolitana e Interior do Estado, decidiram pelo fim do movimento.   

Pareceu que o movimento não era de todas as praças, mas de um grupo (como disse o governo) de militares que, por se exporem mais que os outros, se julgaram com a prerrogativa de fazer o que lhes desse na telha, sem perguntar a opinião dos que sustentavam as suas ações.

Assim, uma oportunidade de ouro foi perdida pelas praças militares por falta de liderança e estratégia para lidar com uma situação como essa. Para confirmar ou refutar este raciocínio, basta responder a seguinte pergunta: “SE O GOVERNO NÃO CUMPRIR O ACORDO FIRMADO - BOA PARTE PARA DEPOIS DAS ELEIÇÕES - E OS “LÍDERES” CONVOCAREM NOVA PARALISAÇÃO, SERÁ QUE AS PRAÇAS SE MOBILIZARÃO COM A MESMA INTENSIDADE DESTE ÚLTIMO EVENTO?”

Certamente não haverá CLIMA PSICOLÓGICO favorável como ocorreu neste movimento, mas antes de qualquer adesão, se eu fosse praça, perguntaria aos “líderes”: até onde estão dispostos a ir em defesa dos direitos da categoria? Será até que o MP os ameace com prisão?      


7 comentários:

  1. É por isto que gosto de você! Por sua coragem.Hoje e sempre!

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  2. De um jeito ou de outro todos perdemos: a instituição, por ter suas mazelas expostas, os oficiais por terem sido satanizados, e principalmente os praças que perderam uma boa oportunidade.Pior, tem inocente achando que ganhou alguma coisa!

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  3. Sábias palavras, professor...
    Que "Vitoria" mais frustrante...

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  4. Fico imaginando os próximos anos da PM dividida, sem força política, sem proposta de melhorias condições de trabalho , sem liderança, inclusive desobedecendo, CF/88 CE/98. Le 053/2006, Lei 5251/85, Lei 6833/2006 e outras que são especificas aos militares estaduais.
    Após o movimento " Greve! devem aparecer candidatos despreparados para defender a classe.

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  5. Vc é o primeiro inimigo dos praças! Vc é horrendo, mal caráter, mal amado, é inteligente ate concordo, se xpressa bem, porém sem amor próprio e ao proximo.duvido vc publicar esse comentário!!!
    Angel!

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    1. Meu caro, não sou sectário. Não sou amigo ou inimigo das praças, oficiais, guardas municipais, deputados, parentes, colegas de trabalho, etc. Não defendo ou critico alguém por pertencer a este ou aquele grupo. Reflito sobre ações determinadas historicamente. Se a minha mãe estiver errada, farei - e faço - as observações críticas pertinentes, levando em consideração o tipo de relação que estabeleço com ela. É uma falacia dizer que alguém tem ou não razão por ser ou estar em determinada situação. Infelizmente pessoas como você não entendem isso. Um abraço.

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