segunda-feira, 14 de abril de 2014

Delegada de Polícia Civil, ao se aposentar, sintetiza sua angústia de ter trabalhado numa instituição castradora: Estou livre!

ADEUS, BYE, BYE, SO LONG, FAREWELL

Hoje, 12.04.2012, consultando casualmente o Diário Oficial, deparei-me com a publicação de minha aposentadoria, no DOE de 10.04.2012 (custava terem me avisado?!).

Já experimentei fortes emoções: aprovação no vestibular, casamento, formatura, nascimento de filhos, defesa de dissertação do mestrado, enfim... Junta-se a essas a leitura da minha portaria de APOSENTADORIA. Indescritível!!!

Meu filho adolescente não entendeu, quando eu fui compartilhar a notícia. Como uma pessoa podia chorar e rir ao mesmo tempo. Ele só compreendeu minha emoção quando eu gritei:

Estou livre!

Nunca mais serei importunada por caricatos procedimentos administrativos, instaurados sob encomenda, como, por exemplo, quando eu paguei a fiança de uma mulher miserável, na Delegacia de Icoaracy, deixada por uma colega do plantão que me antecedeu, para não ter que joga-la no único xadrez, juntamente com homens. Pesou sobre mim a acusação (pasmem!) de ter praticado crime de “Advocacia Administrativa”!

Ah, Corregedoria, como você se personificou sádica!

Tive chefia de toda natureza: mal humorados, sem gosto pelos estudos, invejosos, desumanos, maquiavélicos, assediadores... Mas, foram compensados por outras chefias, como: Clóvis Oliveira (sempre cortes e gentil), João Moraes (em 20 anos de serviço, devo a ele um único DAS que me foi mantido por quase 4 anos, quando ele dirigiu a Acadepol), Dilermano Tavares, quando diretor do IESP, Rilmar Firmino, que acreditou que eu faria bem meu último trabalho na instituição: uma pesquisa sobre causas/circunstâncias de mortes de policiais...

Deus do céu, só consegui lembrar desses quatro!

E olha que eu passei por 16 (é isso mesmo: dezesseis) transferências. Fui lotada em Divisões, Seccionais, Delegacias. Por último, Acadepol e até pela Corregedoria eu passei. Sem contar com os meses em que eu permanecia na DEC (Divisão de Escadas e Corredores), como forma de castigo.

Conheci pessoas que valeram a pena, como: Aran Rebouças, Helvia Mello, Paulo Roberto Chagas Jr., Itamar Dantas, Wildenyra, Socorro Aquino, Nazaré Bechara, Yolanda Galvão, Lena Ponçadilha, Sebastiao Brito, Luzia Alcântara, Claudete Wanzeller, Sylvia Cruz, Rosilene Barata (minha eterna baratinha), Marcilene Silva, Aurelio Walcyr, são só algumas que eu guardarei em minha caixa das boas recordações, pois, eles são a prova de que nem tudo está perdido.

Amigos policiais, daqueles de fé, irmão, camarada, tenho, orgulhosamente SEIS!

Acabaram-se as cobranças de prazos de procedimentos a cumprir, a obrigação de ser gentil com quem, notoriamente me detestava, as portarias de transferências, o esvaziar gavetas, despedir-se de equipes com quem criava laços.

Acabaram-se os plantões de 24 horas de agonia em locais indignos, com necessidade da preservação de autocontrole em meio ao caos, em locais insalubres e perigosos, com carência de pessoal e materiais; exigência de firmeza diante do imprevisível, com a tomada de decisões que poderiam gerar insatisfações para o superior hierárquico, a coletividade e/ou corregedoria, pois, a falha ou insucesso eram imperdoáveis.

Nunca mais ter que assistir incompetentes assumindo direções, em detrimento a tantos outros melhores qualificados. Colegas que quando se tornam chefes, passam a exigir sucesso nas ações policiais, mesmo sabendo da precariedade das delegacias mantidas em prédios deteriorados, principalmente nos municípios afastados da capital, com armamento ultrapassado e número de pessoal insuficiente;

Nunca mais serei obrigada a permanecer calada diante de injustiças, arbitrariedades, e até ameaças (de instauração de sindicância);

Diferente de Cazuza, meu futuro não é duvidoso, não tenho dívidas que me tornem miserável, nem um salário que me torne perdulária ou avarenta. Dor de saudade? NENHUMA! Concordo com Cazuza apenas no que concerne a: 

“Não ligue pr'essas caras tristes
Fingindo que a gente não existe
Sentadas, são tão engraçadas
Dona das suas salas...”

Uma amiga, a primeira a receber a boa nova, perguntou-me: o que vais fazer agora? Eu disse a ela: posso advogar, ministrar aulas, aprender novos idiomas. Posso fazer ciclismo e natação, ficar mais tempo na academia de ginástica sem preocupação com horário. Fazer uma horta no meu quintal, aprender a cozinhar, cuidar de plantas. Viajar, ir mais ao cinema, teatro, exposições, ler mais, visitar amigos, participar de um trabalho comunitário.

Posso também ficar de pernas para o ar, aproveitando, por um tempo, essa deliciosa sensação de LIBERDADE, afinal “...A porta foi aberta e por ela eu já passei/A prisão que era certa, dela eu me libertei/ Por isso voo bem mais alto”

Au revoir!


Rubenita Monteiro Pimentel

19 comentários:

  1. Bons vôos doutora Rubenita.

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  2. O porco só come no cocho porque esta preso,e,nesta vasilha recebe rotineiramente seu farelo. Quando preso não esta,pois,a porteira sempre se lhe apresentou aberta,e,mesmo assim continua comendo no cocho durante toda a vida produtiva é por conveniência,ou por incompetência,pois,com a porteira aberta poderia ir chafurdar em liberdade em outros quintais,e,assim tirar o sabor do velho cocho que o tolia,prendia,oprimia,o deixava infeliz.Agora este porco,passa a vida comendo do farelo do cocho velho,se aquinhoa para poder viajar,se divertir graças ao cocho antigo,e,opressor,e,o deixa apedrejando o seu contexto é o mesmo do que cuspir no prato que comeu é um porco muito porco, ou covarde,ou submisso,por nada fazer para melhorar o cocho enquanto nele comia,e,ainda vai continuar comendo.

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    1. Que modo covarde de se manifestar!
      A instituição (Estado) é feita de homens! Uns bons outros maus. O Estado é um aparato do Capital, que oprime, que explora, que expropria. Portanto, o Estado não é um "cocho" que favorece quem come nele, exceto aqueles que tiram proveito do cocho!
      Por que entender o Estado como um "cocho" que favorece quem vive nele e come dele? Que visão tacanha e pobre! Que visão limitada e positivista!
      Elogiar o Estado capitalista como favorecedor do homem é de uma alienação sem tamanho!
      Facilmente se observa que a analogia ao "porco" refere-se unicamente a uma pessoa a quem se quer atingir, todavia, na medida em que a referência em todo o texto refere-se unicamente ao animal "porco" e a vários "porcos", então, a PC se constitui de "porcos" do qual, quem escreveu é um deles!
      Ou seja, a sociedade se constitui de "porcos" trabalhadores, e o Estado, é um grande beneficiador de quintais variados, bons e ruins, onde os "porcos" podem escolher onde ir comer e se beneficiar por toda a vida produtiva e improdutiva. O texto, a partir da análise do discurso, revela alguém infeliz, invejoso, solitário, raivoso, impotente, pois, se veste de "anônimo" para agredir. Eu até sei de quem se trata e lamento que a mágoa esteja produzindo tanto veneno.
      Q. a lembrança da crucificação de Cristo tenha algum significado para vc, deixando q. o amor e o perdão sejam acolhidos em seu coração!

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  3. Que Deus abençoe. Voce me fez lembrar o discipulo Paulo,onde ele disse:"Combati o bom combate".

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  4. Que Deus abençoe. Voce me fez lembrar o discipulo Paulo,onde ele disse:"Combati o bom combate".

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  5. Sou servidor público do Município de Parauapebas há apenas 10 (dez) anos, mas nesse pouco tempo já vi muitas mazelas das quais você relatou. Triste verdade! Senti-me em sua pele, mas não consegui sorrir. Ao contrário, quase chorei. Faça o que "lhe der na telha" agora. Como você mesmo disse a sua amiga, há muitas opções. Resta escolher bem. Abraços!!!

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  6. Grande honra vc me concede, querido Wolgrand, publicando meu texto em seu espaço!
    Nossas conversas, quando revelávamos nossas insatisfações e ansiedades que nos proporcionava as polícias, estão gravadas em minha memória. Nós vivemos e nos permitimos não ser o queriam que fossemos. Esse é nosso legado: A opção em não nos deixarmos aprisionar pelo poder. Para quem sabe o valor e a importância de ser o que é, entenderá.

    Afetuosamente,

    Rubenita Pimentel

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    1. SOU SUA FAN RUBENITTA, NÃO SEI NADA DA SUA VIDA PREGRESSA, MAS ME IDENTIFIQUEI COM VOCE. APROVEITE SUA LIBERDADE, APROVEITE MUITO. ABRAÇOS.

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    2. Não sei nada da sua vida pregressa, mas me identifiquei muito com o que a sra escreveu. Firei sua fã. Aproveite sua liberdade, aproveite mesmo, que fico sonhando com as milhares de coisas que eu quero fazer quando me aposentar. Bjs.

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    3. Bj pra vc tbm, Fátima! Legal vc ter postado seu nome.

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  7. Que bom delegada! Parabéns! Vejo que a senhora tem muitas opções. Tem gente que se aposenta da PC e vai pra casa engordar. Outros tornam-se babás de netos. Outros adquirem doenças psicossomáticas (diabetes, pressão arterial, gastrite). E a gente encontra eles por aí, como uma suposta felicidade... Mas estão infelizes pois queriam ainda estar na ativa, mandando prender gente, abusando do poder... O poder encanta muita gente. Mas pelo seu perfil, vejo que a senhora tem muitas opções mesmo, como disse o outro anônimo, resta escolher bem.

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    1. É verdade! Alguns colegas me confessaram que ainda não pediram a aposentadoria por não saber o que fazer de suas vidas! Concentram demasiadas expectativas e transformam a atividade policial em alternativa de sobrevivência, fuga da solidão. Aprisionam-se em uma impressão de poder e, pior: associam aposentadoria a velhice!
      Quanto engano! Quem sabe um dia eles despertam .
      Aceito suas felicitações.

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  8. Vá em frente doutora! que bom que se livrou de gente falsa e mesquinha. Tem gente que acha que o serviço público é extensão da casa; outros pensam que é a sua casa e podem tratar os outros de lambaias. Infelizmente ainda não chegou a minha vez, pois quando chegar, vou pedir ao Wolgrand para publicar no blog uma foto assim, igual a sua, listando o pessoal do bem e do mal.

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    1. Hahahahaha. Tenho certeza que o Wolgrand não se recusará. Obrigada!

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  9. Parafraseando Cazuza, a senhora precisa de uma ideologia para viver.Porque seus inimigos sempre estarão no poder.

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    1. Parafraseando Jesus Cristo, doutora: deixa a cana torcida fumegar! Parafraseando David: quem intentará contra o braço forte de Deus? quem impedirá o seu agir? Se a palavra de vitória já foi liberada para você. E deixe as profecias do (pobre) Cazuza de lado. Vai doutora. Siga o teu projeto e seja feliz.

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    2. Aff..., q. bobalhão vc é, anônimo infeliz, invejoso, solitário e raivoso. Desde quando não se tem inimigos nesse mundo? Mesmo dentro de casa, em muitas famílias, não é incomum descobrir-se crápulas, assassinos, ladrões, inimigos ferozes... imagina no ambiente de trabalho, seja esse público ou privado! Ah, vc não tem jeito mesmo. Deixe-me continuar em minha alegria que é bem melhor do que perder tempo em retrucar suas bobagens!

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  10. Quem deve estar aliviado com a tua aposentadoria é a sociedade, pois é uma enrolona a menos na polícia civil, instituição que não produz nada é só gasto, corrupção, má vontade, politicagem e etc. Ai fica a pergunta o que foi que a ilustre fez pra melhorar a instituição dela???

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  11. A tua passagem pela policia civil,para quem te conhece,foi uma analogia a "Opera do Malandro" ,ou seja.diga com quem andas que diremos quem tu és.De resto, tua simplória "manifestação" não passa de choro de uma DERROTADA..

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