segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Descanse em paz, nobre guerreiro servidor (Walmari Prata Carvalho)


Poderias ter passado reto, sem ver, sem perceber;

Tua criação, tua formação, tua condição de servir fizeram-te intervir;

Não mensuraste o risco que mesmo não só porem maior teria de correr;

O bem mais caro de uma sociedade, arriscaste as vidas, a família;

Em teu coração, e, na tua razão ecoavam mais alto a condição... Servir;

Já possuías este fidalgo sentimento que o estado reforçou te ensinou te condicionou; servir.

Representas a maioria de um todo, que assim agiriam.. servir em nome do estado;

Um estado em que muitos dirigentes não nos tratam como gente, somos peças.

Peças em que, depois das causas da ineficácia de setores públicos aos efeitos sociais nos colocam a frente; a reprimir nossa gente;

Ainda assim quando nossa mão é mais forte, ou por necessidade, ou para nos livrar da morte;

não nos compreendem,somos execrados marginalizados ao Anastácio Das Neves deportados antes do transitado e julgado.

Ninguém grita por nossas perdas a não ser os da mesma cor; os direitos humanos aparentemente não nos consideram humanos acalentam aos marginais, por nós nem um ai.

Diferentemente de ti, que viste e intervieste em nome do estado, de tua profissão, ou como um cidadão; o estado não vê, ou finge não perceber a necessidade do que queremos ser e ter.

Partiste porque viste, e, sentiste, enquanto outros não querem nem perceber.

Que a tua coragem, a tua abnegação a segurança familiar, a tua partida prematura sirvam para alertar governos em todos os estados para o tratamento desigual dado aos setores de segurança, e, compreendam que a guerra interna encontra-se instalada, que os humanos direitos é que devem ser priorizados, e, dentre eles, principalmente os membros das policias, que a todos defendem, às vezes, com o sacrifício da própria vida.

DESCANSE EM PAZ, NOBRE GUERREIRO SERVIDOR.

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Belém 10 de novembro de 2013
WALMARI PRATA CARVALHO -CEL PM RR

walmariprata@hotmail.com

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ESTADO DE DEFESA OU ESTADO DE SÍTIO? (Walmari Prata Carvalho)

‘’Democracia, Estado Democrático de Direito e outras expressões semelhantes são bonitas para se falar, mas inexistentes no Brasil de hoje onde o crime tem se mostrado compensador já que o bandido ou criminoso sempre é protegido. A quem interessa essa baderna? Por que o crime, a desordem e a corrupção se espalham impunemente no país como se fosse uma terra sem lei? A nação está vulnerável e os desordeiros, “militantes sociais” ou terroristas festejam, ensejando conjecturar se a falta de reação acontece por covardia ou por cumplicidade dos que detêm o poder.

Espantosa é a aparente insensibilidade das autoridades governamentais e de entidades de classe, como a OAB e o Ministério Público. No caso do coronel paulista, a presidente limitou-se, conforme noticiado, a manifestar solidariedade, pelo Twitter, ao governador do estado, sendo oportuno lembrar o silêncio mantido pela sua ministra dita dos “direitos humanos”, aquela mesma que pugna pela investigação de supostos delitos cometidos no passado em quartéis do Exército e que se emocionou às lágrimas pela repressão sofrida por um assaltante preso em flagrante por um policial militar! Imagine-se o que aconteceria se em lugar do coronel a vítima tivesse sido um promotor, um advogado ou um magistrado’’.
Gen. Ex José Carlos Leite.

Como o general diz venho também a década dizendo. A cada dia agravam-se ainda mais o estado belicoso em que nossa sociedade encontra-se inserida perdendo seus membros para assassinos. Em nome de uma politicagem de perpetuação de senhores e partidos se deixam reféns de uma filosofia dita dos direitos humanos passando a apear sua policia, que acuada pelo medo decorrente de um assedio funcional produzida por corregedorias que, não percebem a guerra interna instalada, e, por isso mesmo imaginam que podem tratar a todos como se o painel fosse de paz. A situação é critica, e, se perdurar, muitos humanos direitos ainda irão tombar, justamente por não serem priorizados pelo estado que, hipocritamente a todos igualam.


Dentro deste painel, jamais a marginalidade ira temer o policial, e, a maioria dos policiais jamais exercerá seus ofícios na plenitude, pois, a insegurança sempre os inibirá para qualquer possibilidade de entreveros, em podendo se acautelarão.

Os marginais, que antes temiam o policial percebendo esta condição, não os respeitam mais passando a assaltá-los para tomarem suas armas, e, executá-los covardemente; aparentemente ate parece que, recebem ordens para a feitura dos atos criminosos que se avolumam, assim como ocorre no sul do país. Precisam adotar urgentemente uma atitude que devolva o respeito que o cidadão de bem precisa ter pelo policial, e, o temor que deve existir pelo marginal. Alguém precisa pintar de roxo seus escrotos para poder fazer o serviço de comandar, quem sabe passando a usar do atirador de elite, e, por ai vai.


Que saudade em ouvir alguém dando ordem como o Helio Gueiros deu para desobstruir a ponte sobre um rio em Marabá.

Cuidado, pois, a qualquer momento, a marginalidade percebendo este medo institucionalizado por diretrizes governamentais (jamais originada nos membros das policias) podem ficar ainda mais audaciosos, e resolvam invadir algum quartel, ou o CG, ou quem sabe a própria secretaria de segurança para roubarem ate mesmo armas. O marginal precisa receber do mesmo tratamento que ele dispensa a todos os humanos direitos; tratá-los como igual é hipocrisia.

BELÉM 07 DE NOVEMBRO DE 2013
WALMARI PRATA CARVALHO - CEL PM RR

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As biografias não autorizadas e o direito à multiplicidade de opiniões (Ou: "O conhecimento é filho do conflito")


Para começo de conversa julgo necessário tentar compreender o que é uma biografia. Segundo alguns dicionários, é um gênero literário em que o autor narra a história da vida de uma ou várias pessoas. Desta definição decorre a questão central deste artigo: é ou não correto alguém escrever sobre a vida de outra pessoa, normalmente ilustre, sem o seu consentimento?

A principal objeção à produção de biografias não autorizadas talvez seja a que sustenta que o autor pode distorcer os fatos causando sérios prejuízos à imagem do biografado. Depois que a mentira se propaga seria difícil desconstituí-la.

Mas qual seria o bem maior a ser preservado nesse caso? Para alguns seria o direito de privacidade do biografado; para outros, o da livre expressão de pensamento por parte do autor desse gênero literário. Mas prefiro compreender essa pendenga por outro viés. Penso que o cerne do problema está em outro lugar, isto é, no direito que a humanidade tem de ter acesso às informações que lhe permitam formular juízos confiáveis sobre a realidade, mesmo que o objeto seja a vida de uma pessoa proeminente.

Digo isso dessa forma, porque tanto o biógrafo como o biografado – talvez este tenha mais motivação para tal – podem manipular as informações conduzindo o leitor a uma compreensão errada dos fatos. Não há, em qualquer campo da produção cultural, a garantia da veracidade das teorias. O equívoco é parte essencial do discurso, mesmo quando elaborado de boa fé.

Por outro lado, haveria um prejuízo imensurável à humanidade, do ponto de vista cultural, se personalidades como Nero, Calígula, Hitler e Mussoline tivessem o poder de legar à posteridade informações unicamente sob suas óticas. Mesmo Jesus, Buda e Maomé, cujo conhecimento de suas vidas privadas mudou o curso da humanidade, não seriam tão interessantes sem os mistérios decorrentes de várias interpretações sobre suas vidas, muitas até maledicentes.   

Essas coisas ocorrem porque uma biografia, enquanto gênero literário, é um trabalho teórico interpretativo e como tal sujeito a toda sorte de manipulação, mesmo quando realizado para aferir a verdade dos fatos.

Por isso, parto do pressuposto de que toda e qualquer construção teórica tem como escopo a humanidade, de todos os tempos históricos. E, enquanto criação humana, não tem compromisso em relatar a verdade sobre um determinado objeto, mas, simplesmente, um ponto de vista sobre ele. Assim funcionam a Ciência e a filosofia. Cabe ao ser humano aceitar essa teoria passivamente ou investigá-la para, quem sabe, propor novas formas de interpretação do mesmo acontecimento. Para esse intento, muitos pontos de vista são indispensáveis.

É nesse contexto que o relato sobre a vida de um determinado indivíduo deve possuir várias versões, autorizadas ou não, para que as gerações seguintes tenham subsídios para encetar investigações sérias sobre esse fenômeno. Como já foi dito, não se produz conhecimento sem multiplicidade e conflito de ideias.

Quando existe apenas um discurso, a verdade depende de quem o prolata; quando existem vários, depende de quem os ouve, interpreta e elabora um novo discurso. A concentração de informações é prerrogativa de regimes políticos totalitários, como sabiamente foi descrito na obra “1984”, de George Orwell.

Para aqueles que vêem as biografias não autorizadas como uma invasão de privacidade, oponho, simplesmente, a tese do direito à multiplicidade de opiniões que a humanidade possui, própria dos saberes críticos, porque o homem somente se constituiu enquanto tal quando outro homem dele discordou.                
                                  

sábado, 2 de novembro de 2013

O discurso da esperteza (Ou: “Na Política, como no Direito, as palavras significam o que o orador quer”)


Na semana passada a presidente Dilma, em novo pronunciamento em cadeia de rádio e TV, glorificou o resultado do campo de Libra dizendo que a sua privatização não era uma privatização, além de minimizar o fato de apenas um consórcio ter se apresentado para um leilão, que, por esse fato, deixou de ser leilão.

Esse acontecimento, com direito ao mais sagaz jogo de palavras, lembrou o episódio amoroso no qual se envolveu o ex-presidente americano Clinton com sua estagiária. O presidente negou que havia tido relações sexuais com ela, mas, após a confissão da jovem, foi ameaçado de impeachment.

Durante questionamento no Congresso americano, um senador perguntou ao advogado do ex-presidente, Sr Craig, se Clinton mentira ao negar a prática do ato sexual. Este, sem titubear, respondeu: “Bom, ele certamente enganou-se e confundiu. Ele não acredita que mentiu, pois sua noção do que o sexo é vem do dicionário. Foi sexo oral, não foi sexo pra valer”. Assim, com essa estratégia linguística, Clinton se livrou do processo de cassação.

Em ambos os casos, salvo enquanto jogo retórico, o raciocínio está indubitavelmente errado, mas, para percebê-lo, é preciso não apenas dominar o idioma pátrio, mas investigar o uso falacioso das palavras. Isso porque, na Política, como no Direito, as palavras significam aquilo que o orador quer.