segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Polícia Militar do Pará: a falsa POLÍCIA CIDADÃ (Ou “Uma Corporação que não defende o cidadão, mas o Governo”)


Muitos policiais da PMPA, quando interpelados sobre as possíveis causas de a criminalidade não arrefecer no Estado do Pará, repetem, quase à exaustão, que a Segurança Pública não é uma questão adstrita à ação dos órgãos policiais. A pobreza, a precária educação das pessoas, o consumismo, etc., também determinariam o mau resultado. Essa argumentação, mesmo sem base científica, se assenta na crença de que a efetiva preservação da Ordem Pública é um problema que deve ser administrado pelo Estado como um todo.  

Embora esse raciocínio pareça lógico, na prática, não passa de um jogo retórico para “engambelar” a opinião pública. Afinal, o “modus operandi” dominante na PMPA evidencia a tentativa, normalmente frustrada, de resolver os conflitos humanos como se a Corporação fosse uma verdadeira panacéia estatal.

Os policiais dizem que o problema é sistêmico, mas a tropa age como se as perturbações da Ordem fossem exclusivamente um caso polícia. A PM, como diria Cazuza, na prática é sempre ao contrário.  

A forma como a PMPA administra as manifestações de caráter reivindicatório no Estado confirmam essa tese. Se a PM tem a função de garantir a ordem e a observância das leis, deve ficar do lado do Governo ou daqueles que exigem certo comportamento do Poder público? Ou talvez não ficar de lado algum até que a lei seja descumprida por uma das partes? O certo é que, na prática, a PMPA, Corporação Militar dita cidadã, tem se posicionado incondicionalmente a favor de quem lhe paga o salário, sem se preocupar com a legalidade ou legitimidade das ações praticadas. Por essa razão os manifestantes são tratados como delinqüentes, antes mesmo de praticarem qualquer ato ilegal.

A recente greve dos professores da rede estadual de ensino do Pará sustenta esse raciocínio. Mais uma vez a PM agiu com parcialidade ao reprimiu a ação de cidadãos que unicamente buscavam a observância de direitos previstos na legislação pátria.   

Qualquer indivíduo minimamente esclarecido sabe que manifestações neste país são legais e, normalmente, legítimas. Via de regra elas visam garantir direitos que o Governo, por falta de sensibilidade, intransigência, inapetência e até má fé, não promoveram aos jurisdicionados. Nesse contexto, os reivindicantes não podem ser tratados como simples “foras da lei” pela polícia. Aliás, se a lei fosse parâmetro para a ação policial, talvez a PM devesse protegê-los do governo.

Mas a PM, que no discurso é cidadã, não mede esforços para “garantir a ordem”, mesmo que tenha de usar como principal argumento a força bruta. Assim, mais uma vez, o cassetete e o spray de pimenta foram usados por uma Corporação que se notabilizou em não pensar sobre as causas e fins das próprias ações. Em vez de analisar o caso para saber quem merecia, de fato, a sua proteção, apressou-se em reprimir o movimento dos professores paraenses com técnicas de combate. Durante a ocupação do prédio da SEDUC, pelos manifestantes, impediram a entrega de suprimentos para os professores que estavam acampados na área interna do Complexo Administrativo do órgão; restringiram o acesso aos banheiros ali localizados e mantiveram os demais manifestantes na área externa do mesmo complexo.

Para demonstrar que a razão estava do lado da Polícia Cidadã, usaram a pedagogia do cassetete e do “spray de pimenta”, até que o “Professor” Militar Armando Brasil, ensinasse a lição que, até hoje, a PM insiste em não aprender: “quando a cabeça não pensa o corpo padece”.

Assim, depois de agressões, inquéritos e pads instaurados contra policiais militares, os representantes do Governo sentaram para negociar com os manifestantes, como se esperassem a PM agir com truculência para depois tentar um acordo.        

Esse é um filme que se repete todo ano do Estado do Pará, mas as “cabeças pensantes” da PM nunca tiram lição alguma desses fatos. Preferem incondicionalmente ficar do lado do patrão, sem fazer uma leitura lógica dos acontecimentos. Essa opção é compreensiva, mas, por essas e outras, não faz sentido proclamar a PMPA como POLÍCIA CIDADÃ.            

3 comentários:

  1. É LAMENTÁVEL QUE AINDA OCORRAM TAIS AÇÕES!!!!!!!!!!!!

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  2. O correto (COMO A SOCIEDADE QUER),,é deixar AS MANIFESTAÇÕES tomarem conta e fazer a bagunça geral, porque assobiar e chupar cana ao mesmo tempo é dificil,e acaba sobrando para o PM.

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  3. É muito facil criticar e abrir procedimentos para punir aqueles que estão na linha de frente como se fosse possivel que eles desobedecerem ordens superiores sendo eles parte de uma intistuição militar.Sugiro q o M.P. ou o "PROFESSOR" investigue para punir aqueles que usam a pm para fins de enteresse politicos e vez de prender os profissionais que estão apenas recebendo ordens.

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