terça-feira, 5 de março de 2013

A SEGUP a serviço da Federação Paraense de Futebol (Ou: "O serviço privado de segurança pública")

Enquanto todo o efetivo policial da Capital do Estado, cerca de 900 homens, estava, neste domingo, 03/03, concentrado no Estádio Edgar Proença (Mangueirão), fazendo a SEGURANÇA PRIVADA do jogo Remo x Payssandú, a cidade ficou exposta a toda sorte de bandidagem.

Num contexto de total insensatez administrativa é fácil compreender porque os meliantes, durante o jogo, elegeram um ponto distante da policiada praça desportiva para agir: o SHOPING PÁTIO BELÉM, localizado no Bairro de Batista Campos. Às 19 horas, três meliantes tentaram assaltar uma joalheria, localizada no segundo andar do empreendimento. Nem o grande movimento de pessoas os intimidou. Se não fosse a ação isolada e corajosa de um policial que estava no local, o crime teria sido consumado.

Esse desequilíbrio no emprego de policiais na Grande Belém tem as suas raízes na grande e indubitável influência que o futebol exerce sobre o povo. Não há governo que queira se indispor com a massa de fanáticos torcedores paraenses. Até aí tudo bem, mas privilegiar um evento particular e deixar à míngua a cidade inteira, configura um ato irresponsável das autoridades que gerenciam a segurança pública na Capital Paraense.

Ainda está porvir um governo que vai exigir que a FPF contrate segurança privada para a área interna aos estádios de futebol, liberando centenas de policiais para a segurança de outros setores da cidade.

Enquanto a polícia for política não podemos esperar ações lógicas e coerentes das autoridades responsáveis pela segurança dos cidadãos. Neste caso, suas ações beneficiam os gestores do futebol paraense, que usufruem de um serviço estatal sem desembolsar um único vintém.

Mais uma história de promiscuidade entre o público e o privado, com claro prejuízo a toda sociedade.   
       

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