segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

As novas regras para abordagem policial. Uma falácia em forma de decreto.

O Conselho Nacional de Segurança Pública, CONSEP, aprovou novas regras para a abordagem policial, na esperança de mudar o comportamento dos policiais paraenses e diminuir as ocorrências com desfecho letal. Agora o policial terá, segundo o decreto governamental, de USAR PROGRESSIVAMENTE A FORÇA, isto é, dialogar, imobilizar, usar armas não letais e, por fim, e somente nos casos extremos, usar armamento letal.

Em tese, segundo as autoridades da área de segurança, a abordagem policial vai melhorar da água para o vinho com as novas regras. Ignoram, porém, que toda teoria, na prática, é sempre ao contrário.

Mas o problema da abordagem policial nunca foi a falta de normatização ou de conhecimento técnico para o exercício da profissão. A causa de todos os males é o velho e bom CORPORATIVISMO que impera na seara policial. Enquanto os Termos Circunstanciados de Ocorrência, sindicâncias, Processos Administrativos Disciplinares e Inquéritos Policiais forem feitos por quem executa a atividade policial, as novas regras para abordagem serão inócuas.

Os policiais sabem que os seus superiores, encarregados de apurar eventuais desvios de conduta, em regra, os protegem, principalmente se “mandarem para o inferno” pessoas que, segundo os seus juízos, não valem o que o “boi caga”.

Se o CONSEP quisesse mesmo conduzir a bom termo os desfechos trágicos das ocorrências policiais, proporia a mudança da legislação, para a criação de um ÓRGÃO CORREICIONAL EXTERNO ÀS POLÍCIAS, sob o comando de um cidadão de conduta ilibada, credibilidade inquestionável e que não pertencesse às corporações policiais.  

Mas o governo jamais transferirá o controle da polícia para a sociedade civil, afinal os interesses políticos falam mais alto. Uma polícia que apure a verdade dos fatos é um tiro no pé de quem precisa manipular as ocorrências de relevante repercussão social. Não serão alguns desvios de conduta de policiais que ensejarão na adoção de medidas que contenha abusos, mas que transfira o poder de escondê-los quando convier.

Por hora convém editar um decreto, como se a conduta humana pudesse ser regulada por um ato administrativo ameaçador e não existissem outras regras (inclusive disciplinares) mais eficazes para atingir esse fim.

8 comentários:

  1. penso que de nada adiantaria tanto o órgão correicional externo quanto um decreto, se o policial hoje só porta uma arma de fogo para fazer o trabalho de rua, só treina tiro uma vez na vida, no curso de formação, esses órgãos que criam essas leis babacas para proteger ladrão, deveria se preocupar com isso. E não ta perseguindo quem esta trabalhando, pois quem faz esse tipo de lei, garanto que nunca entrou em uma viatura policial para trabalhar, o mundo cor de roas é uma maravilha, manda vir para o mundo azul, aqui o bicho pega...

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    1. Acho que a má conduta policial é sim encoberta, ainda mais se o caso for de grande repercussão, como já foi dito. Os poderosos são sempre protegidos e quem paga o pato é o cidadão que não pertence a forças militares. Ditadura no Brasil foi um exemplo disso. Até hoje poucos foram os condenados pelas mortes e desaparecimentos de militantes, Triste.

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  2. Falar é facil ass. 1 papel é mais ainda, mais o q eles vão dar pro PM nao usar a arma letal, a unica ferramenta q dão hj.Qro ver esses flhos da puta virem pra rua combater vagabundos q não tem nenhum medo d nossas leis.

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  3. Controle Civil,, Corporativismo,, injustiça,, Espero que meu comentário não ofenda a retina e os ouvidos sensíveis dos especialistas de plantão. O uso da força é previsto em lei. Armas menos letais não são tão eficientes do que o velho e bom dialogo, acontece que atualmente, os meliantes, cidadãos infratores, crianças mal-criadas, só entendem uma linguagem. Experimentem os senhores convocarem a população, de bem é claro, para deliberarem através de sufrágio, como querem o tratamento para essa gente. Não se enganem. Até hoje nos preocupamos em justificar os atos das forças de segurança para grupelhos de "bem intencionados". Façamos como nos Estados unidos e os países sérios. Eduquem as crianças e os jovens para eles entenderem um dia que existem direitos, deveres e limites entre um e o outro e que seus direitos terminam quando os dos outros começa! Hoje, por manutenção do poder constituído e pelas vaidades encasteladas, se dá desculpa pra tudo. Podem se criar vários mecanismos para limitar a letalidade policial, mas de nada adiantará se as forças de segurança não forem respeitadas com devem. e´só ver como os meios de comunicação de massa tratam as instituições que estão dia-adia nas ruas. Não se enganem!! Amanhã tem mais mortes, assaltos e esbulhos. tudo por que o país é injusto socialmente. EDUCAÇÃO JÁ!, PRA TODOS, INCLUSIVE PARA OS POLÍTICOS, OS MAIS NOCIVOS E LETAIS ATÉ DO QUE AS ARMAS TRAVADAS NOS COLDRES DOS POLICIAIS...

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  4. Caro Wolgrand, fico até espantado com os seus comentários, o que mostra que vc (permita-me a informalidade)não tem experiência nenhuma de tropa, a não ser que tais comentários sejam fruto de sua larga experiência como P1, P2 e outros Ps da vida. Volta pra ativa e vem pra rua correr atrás de bandido, ai eu acho que vc muda de ideia.
    Um abraço de seu ex-cabo eleitoral!

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    1. Caro wolgrand, eu espero que vc tenha êxito nas suas pretensões políticas, pois quero ver toda essa teória tornar-se prática.

      Obs: Amanhã estarei de serviço e como sempre tentarei tornar um mundo um pouco melhor para vc, sua esposa(caso tenha uma)e para seus filhos, e infelizmente gostaria de fazer muito mais nestas 12 hs em que te ofereço o que eu tenho de mais precioso a minha vida, pois, como vc mesmo disse:"...O seu universo está restrito aos limitados ensinamentos de alguma escola militar...". E você vai fazer o que amanhã para melhorar o mundo do seu semelhante, filosofar????

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  5. Caro ex-cabo eleitoral,

    Não entrei na PM para “correr atrás de bandido”. Quem corre atrás de bandido pouco entende de bandido e da própria atividade policial. A cúpula da segurança pública coloca os subordinados para correr atrás dos bandidos e faz marketing político com isso para enganar os incautos cidadãos. Se os “operacionais” entendessem como o sistema funciona não se desgastariam “enxugando gelo”, prendendo “pés rapados”, mas exigiriam providências eficazes para dar cabo da situação caótica em que a segurança se encontra.

    Veja que vários policiais foram mortos recentemente e os despreparados somente pensam e se vingar dos bandidos, como se matando alguns resolvessem o problema. Se tivessem preparo intelectual perceberiam que esse caos que afeta a todos tem as suas causas em outros lugares e são de responsabilidade das autoridades constituídas.

    Você, como muitos, acha que o trabalho na rua faz um bom policial. Não posso exigir muito de você. O seu universo está restrito aos limitados ensinamentos de alguma escola militar.

    Qualquer pessoa instruída sabe que a compreensão de algo está sempre distante da coisa que se quer entender. Não é olhando para a atividade fim da Corporação que a compreendemos. Se não investigarmos as questões políticas, econômicas, sociais, jurídicas, psicológicas, etc., ficaremos apenas tateando nessa seara.

    Os operacionais lidam com uma realidade cujas causas estão alhures, mas crêem que são os mais importantes no sistema. Se fossem, não seriam comandados pelos “oficiais de gabinete”. E estes, pelos políticos.

    Se prender bandidos resolvesse alguma coisa viveríamos no Jardim do Éden.

    Um abraço!

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    1. boa a colocação do ex-cabo eleitoral. Foi cirúrgico em sua incisão. A operacionalidade está tratando apenas nos efeitos, resultados da ausência durante muito tempo do Estado em questões básicas como por exemplo, um controle eficaz de natalidade. Hoje, menina de 14 anos tem filhos largados á própria sorte. Não há prevenção eficaz. a igreja, seja qual for sua denominação não consegue arrebatar fiéis, As famílias não têm direcionamento, o álcool tomou conta das diversões, as drogas acabam com o rico e o pobre, ai sim! Não há distinção, Não pode abortar, a igreja é contra, não pode dar palmada se não afeta a personalidade do petit, não pode proibir, pois vivemos em uma "democracia". Nada se pode mais fazer para coibir desmandos. Se a PM tenta acabar com festas que perturbam o sossego público, está abusando e importunando a quem se diverte. Se aborda um tatuado, com luzes, em uma moto sem placas ou com elas encobertas, é perseguição ao mototaxista que quer "trabalhar". "Lideranças Comunitárias" tratam com políticos questões de segurança pública! O problema é a POLÍCIA OU A POLÍTICA!? Querem humanizar o PM se a sociedade está totalmente sem rumos, esperando o BBB!!! PACIÊNCIA.

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