domingo, 9 de dezembro de 2012

Eleição na UFPA: o referendo universitário (Ou: “Só age quem tem os meios necessários para a ação”)


A recente eleição para reitor da UFPA apresentou um fato atípico para um processo que, pelo menos em tese, se diz democrático. Apenas uma chapa concorreu ao pleito: a do atual reitor Carlos Maneschy.

Para existir um regime democrático, em qualquer parte do mundo, é necessário existir, no mínimo, mais de uma opção. Quando não há alternativa para bi polarizar a relação de poder, a Democracia não passa de uma quimera.

Mas por que não houve concorrência para o cobiçado cargo de reitor da UFPA, cujo orçamento é superior ao de vários municípios do Estado do Pará? Será que não existe, naquela autarquia, ninguém habilitado e com aspirações políticas e administrativas para comandar o destino dessa importante instituição de ensino? A resposta para essa pergunta seria NÃO, desde que houvesse possibilidade de disputa. Se existisse paridade de meios para o confronto político, a fila de pretendentes ao cargo começaria no Campus Básico da Universidade e terminaria, talvez, no Profissional.

Por esse motivo nenhum servidor ousou desafiar o professor Carlos Maneschy na disputa pela reitoria da UFPA. A boa lógica ensina que não convém se arriscar num pleito cuja possibilidade de sucesso depende da existência de meios que somente o adversário dispõe. Poucos tem inclinações kamikazes.

Com algumas décadas de prática democrática, as pessoas educadas perceberam que disputa eleitoral no Brasil custa caro e não é para qualquer um. Quando o cargo é o mais importante, poucos se aventuram nessa empreitada. É preciso dinheiro e apoio político, que normalmente se compra com a promessa de cargos e outros mimos. É mais fácil comprar a adesão das pessoas que meia dúzia de pães franceses na padaria da esquina. Os poucos que se opõe aos inquilinos do poder se arriscam ao ostracismo administrativo e/ou político.  

Na UFPA o reitor Maneschy dispõe de vários instrumentos de poder, por exemplo: com o dinheiro público pode visitar todas as longínquas Unidades de Ensino da UFPA, para fazer campanha, com a justificativa de realizar atribuições do cargo. Por outro lado, possui centenas de assessores que, para não perder a boquinha administrativa e o famigerado cargo comissionado, o apoiarão até debaixo d’água. Tudo sem falar nos milhares de estagiários e bolsistas que se sentem gratos por não discernirem o que é um direito e um benefício pessoal.

Por essas e outras que aquele que possui a “máquina na mão” dificilmente perde eleição neste país. O sistema é tão cruel e tendencioso, que, no Pará, até o Presidente do Clube do Remo e da OAB/Pa, com todas as lambanças que fizeram, se reelegeram. Democracia no Brasil é um “jogo de cartas marcadas”.

Um sábio ditado popular descreve com precisão essa triste realidade: “Não se entra em política sem dinheiro”, principalmente num sistema que é movido pelo vil metal, como o brasileiro. Ora, num contexto dos mais adversos para fazer oposição a quem está no poder, quem ousaria desafiar o reitor da UFPA numa falsa disputa, conferindo apenas mais brilhantismo a vitória de Carlos Maneschy?

Como dinheiro e apoio político não brotam da terra é compreensivo que apenas a chapa da situação tenha concorrido à eleição na UFPA, que, por falta de adversário, não foi uma eleição democrática, mas um verdadeiro REFERENDO, com o propósito de ratificar não apenas o professor Carlos Maneschy no poder, mas confirmar que, neste país, SOMENTE AGE QUEM TEM OS MEIOS NECESSÁRIOS PARA A AÇÃO.        
   

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